Retalhos da política em Brasília e no Tocantins

Observador e cronista político, embora venha, há anos, tentando deixar esta nuance do Jornalismo, tenho feito, no meu perfil no Facebook, pequenos comentários sobre o atual panorama político de Palmas e do Brasil.

Muita gente, que há anos acompanha minha crônica política em Goiás, Tocantins e oeste da Bahia, me cobra mais opiniões e até um site de notícias politicas ou blog para a publicação das minhas opiniões. A princípio, descarto esta possibilidade por estar muito envolvido em outros projetos editoriais e em eventos técnicos ligados ao agronegócio.


Contudo, acredito ser oportuno transcrever meus comentários do Face para esta minha página de opinião neste site, dirigido e editado por mim, pois ele tem maior alcance de internautas que adoram ler opiniões políticas.

Quem sabe, não estou contribuindo com o processo político do Tocantins e do Brasil.

Bom, não chego a tanto, mas escrever e partilhar meus conteúdos me fazem bem e, graças a Deus, tem encontrado eco na satisfação de uns e insatisfação de outros. Mas nunca pela via do baixo nível.


SAÚDE ACIMA DE TUDO

Muitas vezes, a área de Saúde de qualquer instância de Governo, não precisa apenas de dinheiro para atender as necessidades da sociedade, sobretudo dos mais socialmente carentes.

Com vontade, sensibilidade e criatividade dos governantes; a dedicação daqueles que fizeram o juramento de Hipócrates e o desprendimento dos Legislativo e Judiciário, dificilmente um inocente morreria nos hospitais públicos por falta de atendimento.

Quanto, numa crise, como a que vive o Tocantins, não se economizaria em viagens oficiais sem extrema importância de Estado; quanto não se arrecadaria, mensalmente, se nobres parlamentares e magistrados abrissem mão de suas verbas de representação, gabinete e auxílios de toda a ordem?

Verdade é que estas classes não vivem em função do Estado. O Estado é que funciona em função delas.


ARRETADO E DEMAGOGO

Acompanhei, pela CBN Brasil, o pronunciamento do ex-presidente Lula sobre a denúncia que o MPF fez, ontem (14/09), contra ele, sua esposa e demais “companheiros”.

Foi um pronunciamento teatral, fascista, de deboche da Justiça e do MPF e, acima de tudo, insuflou a anarquia no país.

Sim, porque se, caso Lula, como outros vilões da Lava Jato, for preso, o caos estará instalado nas ruas. Ai, só Deus…

E é isto o que Lula está articulando: dificultar a PF chegar até ele, por meio da comoção de petistas, simpatizantes e, entre estes, baderneiros.

Lula se coloca acima de tudo e de todos, intocável.


SEM RÁDIO E TV-ESCUTA E SEM SERVIÇOS DE CLIPAGEM

Assim deve estar o Governo do Tocantins.

Em Porto Nacional, cidade a 60 quilômetros de Palmas, um candidato a prefeito usa os problemas de Saúde, enfrentados pelo Governo e Sociedade, para descer o “cacete” no governador Marcelo Miranda. Ou seja, a miséria alheia como figura de discurso.

Enquanto isto, a Comunicação e assessoria mais próxima do Governo, ressalvando as poucas exceções, se perdem na vaidade, na arrogância, nas picuinhas internas e externas e nas perseguições e, acima de tudo, sem autonomia para agir.


É SÉRIO …

Se Lula, para se blindar da prisão, pedir ao MST para ir às ruas, muito vandalismo e sangue estarão nas praças e ruas do Brasil.

Se não deve, não teme. Não deveria, irresponsavelmente, estar agitando a militância, se pondo como mártir.

Ter sido menino pobre, retirante, analfabeto e operário não são prerrogativa para estar acima das leis e dos semelhantes.

Lincoln foi lenhador.


ELEIÇÕES EM PALMAS

Raul Filho, na ânsia por voltar a Prefeitura, foi buscar o apoio do que há de mais atrasado na política do Estado.

Esqueceu-se que o eleitorado palmense mudou com o crescimento social, econômico, educacional e cultural de Palmas. Este crescimento resulta em mais consciência política.

Maioria do eleitorado não vota mais encabestrado.


OUTRO EQUÍVOCO

Outro grande equívoco político vem da parte do governador Marcelo Miranda.

Diante dos problemas enfrentados por seu Governo, como greve dos servidores do Estado e situação caótica da Saúde pública estadual, ele não deveria se isolar em gabinete e mandar seus assessores e secretários irem sem ele para a linha de frente.


Isso irrita os grevistas e o povo impactado com os problemas. A parcela de culpa de Marcelo pela situação crítica do Estado é pequena. Maioria desses estragos na máquina pública vem de seus antecessores, da sua queda do governo e de mandatos tampões.

Tem moral para arregaçar as mangas da camisa e ir para o tête-à-tête. Grandes estadistas, como JK, jamais se escondem dos problemas.

Está muito mal orientado pelas suas assessorias de marketing, política e comunicação.

Sua Excelência se esquece que quem deve zelar por sua carreira é ele, não assessores.


UMA NOVA SEGUNDA VIA POLÍTICA NO TOCANTINS?





Se a pesquisa do Ibope, divulgada ontem (15/09) por um grupo de comunicação no Tocantins estiver correta, o prefeito de Palmas, Carlos Amastha, se reelegerá com folga ante ao segundo colocado, Raul Filho, uma das raposas políticas do covil (no sentido de toca de feras) do velho Siqueira Campos e ex-prefeito em dois mandatos consecutivos.


Reeleito, Amastha poderá estar se consolidando numa segunda via política no Tocantins, correndo em paralelo à liderança dos Miranda, hoje no controle do Governo do Tocantins. É o que boa parte do povo e pequenas e médias lideranças políticas, empresariais e comunitárias do Tocantins estão necessitando (e desejando), o que será muito bom para o equilíbrio politico do Estado. Nada funciona bem sob monopólio. Siqueira saiu de cena, devido ao avançar da idade, deixando uma lacuna muito grande, e o único que poderia – e como ele sempre sonhou – assumir sua liderança seria seu filho, o ex-prefeito de Palmas, ex-senador e atual deputado estadual, Eduardo Siqueira Campos. Este, por uma série de motivos políticos e pessoais, perdeu esta oportunidade.

Marcelo Miranda segue numa via de mão única, correndo o risco de capotar com uma possível trombada com alguém que venha a construir uma segunda via.


Além de se consolidar como segunda via, em termos de oposição ao governo do Estado, Amastha poderá, também, pavimentar sua estrada, com acentuado declive para alcançar o planalto, chegando ao  Palácio Araguaia, em 2018. Mas, para isto, não basta ele se reeleger. É preciso que ele faça uma segunda administração melhor que a primeira; que invista no que prometeu, tanto em sua primeira campanha, quanto na atual; que deixe a infantilidade política de lado; que seja mais diplomático nas relações políticas com adversários e, por fim, assuma uma bandeira política e seja coerente a ela sob as asas da humildade. Mas uma humildade austera, do sim, sim, não, não (leia-se: sem demagogia).


Amastha, para o povo, principalmente para as classes sociais e econômicas mais esclarecidas, ainda é a representatividade do empresário bem sucedido, não dependente da máquina pública para “fazer a vida”. É carismático e apaixonado pelo o que faz.

Ele só perde esta via se repetir suas bobeiras.

http://cerradoeditora.com.br/cerrado/retalhos-da-politica-em-brasilia-e-no-tocantins/