
Uma megaigreja, segundo o especialista dr. John Vaughan é aquela que
reúne mais de 2.000 fiéis em seu templo. Vista como moda 20 anos atrás, o
modelo continua se fortalecendo no mundo todo e a taxa de crescimento
agora é cinco vezes mais rápida que no início do século. Essa é a
conclusão do Church Growth Today, publicação anual assinada pelo ministério de Vaughan. Ele
criou e mantém o Centro de Estudos do Crescimento da Igreja, no
Missouri, sul dos Estados Unidos. Além de monitorar o que ocorre nas
principais denominações, o Centro publica um levantamento global
baseados nas estatísticas disponibilizadas pelos ministérios.
Seu foco
maior são as igrejas americanas, que criaram o conceito de “mega” na
década de 1950. Quando o dr. Vaughan escreveu seu
livro “As 20 maiores igrejas do mundo”, em 1985, apenas 27 igrejas
evangélicas com mais de 6.000 fieis por culto eram conhecidas no
planeta. Mais da metade delas ficavam nos EUA.
Hoje, o estudioso se concentra em analisar as
200 maiores igrejas do país, todas com mais de 6.000 pessoas. Seus
levantamentos não incluem igrejas católicas, pois o conceito de
membresia é diferente nesse segmento cristão. A
Igreja do Evangelho Pleno, em Seul, Coréia do Sul, é considerada a maior
megaigreja do mundo. Liderada durante muitos anos pelo pastor Paul
Yonggi Cho, conta atualmente com mais de 800.000 membros. O modelo
americano, baseado em eventos, foi usado num primeiro momento, mas os
coreanos imprimiram suas características, sendo que o foco da maioria
delas é a oração.
O
crescimento mais rápido dessa tendência ocorre em países asiáticos.
Para efeitos de comparação, a ilha de Cingapura, nação com 5 milhões de
habitantes possui 14 megaigrejas, a maior concentração do planeta. O
“sucesso” do modelo original ainda está em alta em nações como a
Nigéria, por exemplo. Apesar de conviver com grandes tensões religiosas
entre cristãos e muçulmanos, o país mais populoso do continente africano
possui pelo menos 25 megaigrejas. Pelo menos 15 delas declararam ter
mais de 20.000 membros.
Na América do Sul, indica
Centro de Estudos do Crescimento da Igreja, a maior das megaigrejas é a
Vision de Futuro, em Santa Fe, Argentina, com 80.000 membros. Não existe uma pesquisa sobre o número de megaigrejas no Brasil.
O maior espaço de culto evangélico é o Templo de Salomão, da Igreja
Universal do Reino de Deus. Essa denominação possui megaigrejas em quase
todas as capitais do país. A Igreja Internacional da Graça e a Igreja
Mundial do Poder de Deus também possuem templos que são considerados
megaigrejas. Além dessas igrejas com grande apelo
de mídia, existem templos da Assembleia de Deus em diversas cidades que
reúnem mais de dois mil membros. Destacam-se ainda a Igreja da Paz, em
Santarém, que congrega cerca de 50 mil. A Igreja Batista da Lagoinha tem
um número semelhante de membros.
Modelo emergente é de igrejas-satélites: De
várias maneiras, as tendências eclesiásticas americanas tendem a ser
copiadas pelo restante do mundo. Em solo americano, seis em cada 10 das
maiores igrejas ainda estão crescendo. Cerca de 1,6 milhões de pessoas
atualmente participam das megaigrejas dos Estados Unidos. Por outro
lado, 9 em cada 10 igrejas ainda são pequenas congregações, mais
tradicionais.
A Igreja Lakewood, em Houston,
Texas, liderada por Joel Osteen é a maior megaigreja da América, com
52.000 pessoas presentes a cada domingo. Foram 7.200 novos fiéis desde
2010. Em 1999, quando morreu o seu fundador, John Osteen, pai de Joel,
ela tinha “apenas” 10 mil membros. Ainda segundo o levantamento de Vaughan,
a tendência que está se consolidando é o de igrejas com templos em
diferentes lugares, mas todas interligadas. Pessoas de 21 cidades, em
sete estados distintos afirmam pertencer à Life Church, cuja sede fica
em Edmond, Oklahoma. Mais da metade dos seus
70.000 membros participam do culto de domingo em telões nas “igrejas
satélites” e veem o que acontece na sede por videoconferência. As demais
atividades são lideradas por pastores locais.