

Segundo
Carlos Tito (PDT), o comentário da vereadora foi “infeliz e impensado”.
“De fato, esse episódio ocorreu sim. Foi uma sessão muito tumultuada no
sentido do barulho. Um vereador estava se pronunciando e ele foi
interrompido pela vereadora com essa intervenção infeliz. Ela disse para
mim: ‘Presidente retire essa bicha louca’ ou algo parecido. Eu a
repreendi e pedi ordem. Foi uma fala infeliz, impensada pela vereadora. É
incabível isso”, afirma o presidente da câmara Carlos Tito. A
reportagem tentou contato com a vereadora Núbia Araújo, mas ela não foi
encontrada.

Por telefone, na sexta-feira (21), uma mulher que diz ser sua filha
informou que a edil irá se pronunciar somente na terça-feira (25),
quando, segundo ela, deverá ser realizada uma audiência entre as duas
partes. Neste sábado, a reportagem tentou falar novamente com a
vereadora, mas ela não atendeu as ligações. Segundo o vereador, na
segunda-feira (24) haverá uma reunião entre a Mesa Diretora da câmara e a
vereadora para discutir o caso. “Nós vamos nos reunir para avaliar a
fala dela e tomar as decisões regimentais. No âmbito do poder
legislativo, ela pode sofrer uma advertência e a Mesa Diretora também
pode abrir um processo por quebra de decoro”, explica.
Para o presidente, a vereadora deveria “assumir o erro” e pedir
desculpas ao estudante. “Nós não podemos ocultar ou concordar com esse
tipo de atitude. Eu já fui a programas de rádio pedir desculpas pela
câmara. Acho que ela deveria se portar da mesma forma. No mínimo, tem
que haver uma retratação da vereadora”, opina.
Denúncia

João Felipe é presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de
Barreiras e conta que participava com outros membros do grupo da sessão
na câmara, quando uma confusão começou após um vereador fazer críticas a
uma ONG. “Nessa semana foi cortado o convênio da Escola Lar De
Emmanuel, que é uma ONG que funciona como escola e orfanato. Aí quando
abriram a sessão para as palavras dos vereadores, um deles falou
inverdades sobre a ONG. Várias pessoas que estavam lá se sentiram
indignadas e gritaram ‘mentira’. Na hora que eu estava gritando, a
vereadora Núbia pegou o microfone e pediu ao presidente [da Câmara] que
retirasse “essa bicha louca daqui”, relatou o estudante.
De acordo com João Felipe, após ser ofendido, ele chamou a vereadora de
“homofóbica”. “Foi aí que veio um assessor dela e disse: ‘Respeita a
vereadora senão eu vou te dar uma surra, vou passar o carro por cima da
sua moto’. Aí eu me retirei do local porque estavam ameaçando chamar a
polícia”, diz. João Felipe conta que registrou um Boletim de Ocorrência
na delegacia da cidade e que pretende entrar com uma ação contra a
vereadora. “Fiz um boletim contra a vereadora e contra o assessor. Foi
crime de homofobia e ameaça. Eu não desacatei ela, a chamei de
homofóbica”. O delegado Alírio de Araújo, que investiga o caso, afirma
que os dois serão ouvidos no caso. Segundo ele, ainda não foi definido
um prazo para as oitivas.
Fonte: Barreiras Noticias