POLÍCIA CIVIL DO DISTRITO FEDERAL: O PERIGO AINDA ESTÁ NA REDE


Mentor intelectual de bando que aplicava golpes na internet foi preso ontem, após dois anos de investigação. Polícia volta-se a funcionários de empresas telefônicas que participavam do esquema, segundo delegado.  Bando preso em dezembro de 2013, na segunda etapa da operação. Ontem foi a vez da parte técnica do grupo.


Inteligente e com profundo conhecimento em programação de computadores, Aílton Evangelista de Araújo, 40 anos, preferiu investir os anos de dedicação aos estudos na área para ganhar dinheiro sujo. Preso ontem numa operação da Polícia Civil, com mais três pessoas, ele era o cérebro de uma organização criminosa suspeita de desviar mais de R$ 20 milhões de contas de clientes que faziam transações bancárias por meio da internet.

Agentes da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, à Ordem Tributária e a Fraudes (Corf) prenderam Aílton, na manhã de ontem, em Goiânia. Além dele, foram detidos Bruno Gusmão Lobo, 27, em Formosa; Ricardo Alexandre do Vale Cândido, 37, em Sobradinho; e Adriana Santos do Amaral, 36, em Ceilândia. A ação da Corf foi a terceira etapa da Operação Banknet. Na primeira fase, no início de 2013, o líder da quadrilha, Márcio Rezende foi encontrado. Em dezembro, mais sete foram detidos. 

Apesar de já durar quase dois anos, o chefe da Corf, Jeferson Lisboa, destacou que Operação Banknet não chegou ao fim. “Estamos investigando quem eram os funcionários das empresas de telefonia que participavam do esquema”, afirmou. Lisboa explicou que a quadrilha era ousada e sem receios na hora de escolher suas vítimas. Médicos, servidores públicos, engenheiros e professores estão entre os lesados. “Chamou a atenção o fato de eles serem muito inteligentes, principalmente o Aílton. Com esses quatro detidos, são 16 presos no total. Estimamos que eles tenham desviado, em cerca de um ano de atuação, mais de R$ 20 milhões.”

Aílton, Bruno, Ricardo e Adriana eram responsáveis pela parte técnica do bando. Aílton era o cracker — pessoa que quebra as barreiras de segurança na internet — responsável por desenvolver páginas idênticas às de instituições financeiras. O cliente, ao acessar o site do banco, era direcionado para endereço virtual clonado. Ao inserir informações confidenciais, na verdade, estava caindo em um golpe.

Já Bruno Gusmão tinha a missão de recrutar funcionários de empresas de telefonia para alterar dados de tokens — dispositivos físicos que geram uma senha temporária de proteção para contas bancárias. Os outros dois detidos, Ricardo Alexandre e Adriana Santos, também tinham um grau elevado de conhecimento em computadores. A função deles era fabricar boletos falsos, normalmente de impostos, como IPVA e IPTU. As informações eram encaminhadas por e-mail a um grupo de vítimas. Quando faziam o pagamento por meio do código de barras, na realidade, estavam transferindo os valores para a conta de um dos criminosos.

Como evitar problemas

» Mantenha antivírus atualizados instalados no computador que utilizar para ter acesso aos serviços bancários

» Troque a sua senha de acesso ao banco na internet periodicamente

» Só utilize equipamento efetivamente confiável. Não realize operações em equipamentos públicos ou que não tenham programas antivírus atualizados nem em equipamento que não conheça

» Não execute aplicações nem abra arquivos de origem desconhecida. Eles podem conter vírus
» Use somente provedores confiáveis. A escolha de um provedor deve levar em conta também seus mecanismos, políticas de segurança e a confiabilidade da empresa;

» Cuidado com e-mails não solicitados ou de procedência desconhecida, especialmente se tiverem arquivos anexados

» Acompanhe os lançamentos em sua conta-corrente. Caso constate qualquer crédito ou débito irregular, entre imediatamente em contato com o banco

Fonte: Federação Brasileira de Bancos

Correio Braziliense