DISTRITO FEDERAL: PRESO ACUSADO CONFESSO DE ASSASSINAR IRMÃOS NO CRUZEIRO

“Antes eles do que eu”, disse o acusado confesso de participar do assassinato de dois irmãos no Cruzeiro em janeiro deste ano. Ele foi preso preventivamente nesta quarta-feira (28) em Itapuranga, Goiás, após quatro meses foragido. Sem passagem pela polícia e sem histórico de uso de drogas, o jovem disparou seis tiros contra as vítimas. 


Daniel Martins, de 19 anos, é o quarto do grupo de cinco pessoas a ser preso.  Ele foi abordado na cidade goiana que fica a 315 quilômetros do local do crime. Segundo a delegada Cláudia Alcântara, da 3ª Delegacia de Polícia, no Cruzeiro, o jovem fugiu logo após o duplo homicídio. 

O atirador não se arrepende do crime. “Se eles estivessem vivos, eu faria tudo de novo”, afirma. Ele foi um dos responsáveis por atirar 12 vezes contra  Rodrigo, 18 anos,  Kelvin, 23 anos e Maycon de Jesus, 20 anos no dia 23 de janeiro, enquanto assistiam um filme em casa. Este último sobreviveu após ficar na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).  

O jovem fez questão de falar à imprensa. “Ele tem a justificativa e quer contar”, disse a delegada enquanto o acusado entrava na sala. De cabeça erguida e sobrancelhas apertadas, ele esclarece: “Matei porque eles queriam me matar, mas não tiveram coragem. Eu fui e tive. Na primeira oportunidade, matei”. O atirador acrescentou que nunca teve nada contra as vítimas, mas que elas o perseguiam. 

Rixa de grupos rivais

Em fevereiro, três pessoas foram presas em Formosa (GO). Patrícia dos Santos Oliveira, 22 anos, ex-mulher de Kelvin e Caio Francisco Martins, 19 anos, foram encontrados após uma denúncia anônima feita à polícia. O terceiro suspeito foi preso por dar suporte para a fuga dos atitradores.

Segundo informações da delegada-chefe, o crime foi motivado por uma rixa entre dois grupos rivais e por Patrícia ter deixado o casamento com o Kelvin para morar com Caio, do grupo rival. Os suspeitos e as vítimas cresceram e viveram em Formosa. “Eles não eram gangues, apenas não gostavam uns dos outros”, explica a delegada. 

Crime premeditado

Cláudia Alcântara conta ainda que a ação foi premeditada cerca de dez dias antes do crime. “A ex-mulher de Kelvin sugeriu que o homicídio fosse praticado em Brasília, já que ninguém aqui sabia da rixa entre eles. No dia combinado, eles vieram para Brasília e executaram os irmãos”, explicou. O grupo imaginava que por serem de Formosa, a identificação seria mais complicada. “É um equívoco. Estávamos há dois anos sem nenhum homicidio no cruzeiro. Quando ocorreu, tínhamos e temos a obrigação de dar uma satisfação à população e prender todos os envolvidos”, declarou a delegada. 

A polícia teve acesso a câmeras de segurança que mostraram a ação dos criminosos. Nas imagens, cinco pessoas aparecem dentro de um carro. Dois dos suspeitos descem do veículo e correm por um beco da rua. A seguir, barulhos de disparos podem ser ouvidos e a dupla foge. As duas armas calibre .38 foram vendidas na Feira do Rolo,em Ceilândia.

Além de Daniel, Claudinei Ferreira, 25 anos, vulgo “negão” é acusado pelos disparos. Este último é o único que ainda não foi preso na operação. Mas a delegada alerta: “A Policia Civil está à procura deste foragido e o prenderá em breve”. 

Assim como os integrantes do grupo presos em fevereiro, Daniel pode pegar até 30 anos de prisão por  homicídio duplamente qualificado, tentativa de homicídio e porte ilegal de armas. Perguntado se a pena o assusta, o jovem afirmou que “A pena me assusta, mas o que Deus escolher pra mim, vai ser”. 

Jornal de Brasília