PARLAMENTO DESTITUI PRESIDENTE UCRANIANO

Presidente Viktor Yanukovich é deposto e acusa oposição de "golpe". Ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, presa desde 2012, foi libertada. União Europeia pede formação de governo de transição. O Parlamento ucraniano aprovou neste sábado a deposição do presidente Viktor Yanukovich por "abandono de suas funções". Novas eleições foram marcadas para 25 de maio. Manifestantes tomaram a sede do governo depois da confirmação de que Yanukovich havia deixado a capital, Kiev. 


O paradeiro do mandatário é desconhecido, em um momento no qual o poder do líder pró-Rússia diminui rapidamente como consequência da violência na capital. Yanukovich deu entrevista ao canal de televisão UBR e afirmou que não renunciará, chamando os eventos recentes no país são um “golpe de estado”.

A ex-primeira-ministra ucraniana Yulia Tymoshenko, que cumpria pena de sete anos de detenção por abuso de poder, recuperou hoje a liberdade e deixou a clínica na cidade de Kharkiv onde se encontrava desde maio 2012, informou a televisão local. A Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia aprovou resolução para que fossem cumpridos "os compromissos internacionais" que exigiam a libertação de Tymoshenko, em alusão às exigências da União Europeia e dos Estados Unidos.

No gabinete do presidente, o manifestante Ostap Kryvdyk, que se descrevia como um comandante do protesto, afirmou que alguns membros do grupo entraram nos escritórios, mas não houve saques. "Vamos guardar o edifício até que o próximo presidente venha", afirmou ele à Reuters. "Yanukovich nunca voltará", disse.

A residência do presidente fora de Kiev está sendo guardada por milícias de "autodefesa" formadas por manifestantes. Centenas de pessoas entraram no terreno, mas não no prédio. Uma fonte da área de segurança na Ucrânia disse à agência que o presidente ainda está na Ucrânia, mas não afirmou se ele se encontra em Kiev. Um aliado afirmou que ele está em uma cidade do leste do país. Anna Herman, uma legisladora próxima a Yanukovich, disse à agência de notícias UNIAN que o presidente está na cidade de Kharkiv, no nordeste do país e onde se fala russo.

Yanukovich, que deixou grande parte da população furiosa ao virar as costas para a União Europeia para estreitar seus laços com a Rússia há três meses, fez concessões em um acordo negociado por diplomatas europeus na sexta-feira, dias após atos de violência que mataram 77 pessoas, com o centro de Kiev parecendo uma zona de guerra. Mas o acordo, que convocava eleições antecipadas até o fim do ano, não foi o suficiente para apaziguar os manifestantes, que pediam a queda imediata de Yanukovich, após um massacre no qual atiradores de elite disparavam balas do topo dos prédios.

Parlamentares atuaram rapidamente para implementar o acordo, votando para restaurar uma Constituição que diminuísse o poder do presidente e mudando a lei para permitir que sua rival, a líder oposicionista presa Yulia Tymoshenko, fosse libertada. Neste sábado, legisladores aprovaram acelerar sua soltura sem a assinatura do presidente.

O presidente do Parlamento, leal a Yanukovich, renunciou neste sábado, e o Congresso elegeu Oleksander Turchynov, um aliado de Yulia Tymoshenko, como seu substituto.

Os acontecimentos do sábado estavam rapidamente moldando o futuro de um país de 46 milhões de pessoas, distanciando a nação de Moscou e estreitando relações com o Ocidente, embora a Ucrânia esteja perto da bancarrota e precise da Rússia para pagar seus compromissos.

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