Cerca de 600 000 turistas estrangeiros são esperados no Brasil
durante a Copa do Mundo. O grande contingente de pessoas vindas de
várias partes do planeta favorece o intercâmbio de vírus e bactérias que
podem causar doenças tanto nos brasileiros quanto nos estrangeiros.
Para os brasileiros, a ameaça são enfermidades que estão controladas no
país, mas em atividade fora daqui, como o sarampo.
"A Europa vive um
surto de sarampo, causada pela queda na adesão à vacinação. O risco é
maior para crianças com menos de um ano, que, nessa faixa etária, ainda
não foram imunizadas, e moradores de regiões com baixa cobertura da
vacina", afirma o pediatra Renato Kfouri, presidente da Associação
Brasileira de Imunizações (SBIM). De abril de 2013 a março de 2014, 9
579 casos de sarampo foram registrados no velho continente, segundo o
Centro Europeu para Controle e Prevenção de Doenças.
Outro perigo é a
meningite. A vacina oferecida na rede pública brasileira protege apenas
contra o sorogrupo C, mais comum no país. "Mas há tipos que circulam em
outros lugares, como o W-135, no Chile, na Argentina e em algumas partes
da África, e podem ser trazidos com os turistas", diz Kfouri.
No Chile,
por exemplo, 32 casos de meningite W-135 foram confirmados entre
janeiro e maio de 2014. Em fevereiro, o Ministério da Saúde emitiu um
informe para as secretarias Estaduais e municipais alertando sobre a
doença. O comunicado solicita que casos suspeitos sejam notificados e
que amostras dos pacientes sejam encaminhadas para exame no Instituto
Evandro Chagas (IEC), laboratório de referência nacional em
epidemiologia.
